Um forte temporal com ventos de mais de 105 km/h atingiu o estado de São Paulo na última sexta-feira, deixando mais de 760 mil lares sem energia por três dias. A tragédia, que resultou na morte de sete pessoas, revela a fragilidade da infraestrutura energética do estado e acende um debate acirrado sobre o futuro do setor.
A interrupção prolongada do fornecimento de energia se deve principalmente à queda de árvores sobre fiações e postes, rompendo a rede elétrica. O Brasil tem uma baixa taxa de fios subterrâneos, menos de 1%, enquanto nos EUA esse tipo de transmissão chega a 20%. Essa diferença explica em parte a vulnerabilidade da rede elétrica brasileira a eventos climáticos extremos.
A Enel, responsável pela distribuição de energia em São Paulo desde 2018, está sob pressão de autoridades de diferentes ideologias, que questionam sua capacidade de operar no estado. Enquanto a esquerda defende a estatização do serviço de energia, a direita propõe uma nova concessão com mais fiscalização e critérios de eficiência.
É relevante mencionar que 70% das distribuidoras de energia no Brasil estão sob controle privado, e os dados mais recentes mostram que as empresas estatais têm quedas de luz mais recorrentes do que as privadas.
A busca por soluções para o problema da energia no Brasil deve levar em consideração o debate político sobre o modelo de gestão do setor. O governo precisa avaliar o papel do Estado na área de energia e definir uma estratégia que garanta o acesso à energia de forma justa e equitativa para todos os brasileiros.
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