Ironia política: Projeto para acabar com delações, antes defendido pelo PT, agora é arma de Bolsonaro.
A política brasileira está em
ebulição mais uma vez, e o motivo é a ressurreição de um projeto de lei que
pode acabar com as delações premiadas, uma das ferramentas mais importantes da
Operação Lava Jato.
O projeto, que foi arquivado em
2016, foi retirado da gaveta pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, e colocado
em votação para definição de urgência. Se aprovado, o texto vai dificultar
ainda mais que investigados contém tudo o que sabem em troca de uma diminuição
de pena.
A proposta também criminaliza a
divulgação do conteúdo de delações pela imprensa ou por advogados, impedindo
que a sociedade tenha acesso a informações cruciais sobre casos de corrupção.
A ironia da situação é que o
projeto foi escrito por um deputado do PT, em 2016, com o objetivo de blindar
seus colegas de partido das delações da Lava Jato.
Agora, o projeto ganha força nas
mãos dos deputados mais próximos a Jair Bolsonaro, que veem na sua aprovação
uma forma de anular futuras delações de Mauro Cid, que poderiam comprometer o
ex-presidente em casos de corrupção.
As críticas dos deputados do PT
ao presidente da Câmara se intensificaram, mas Lira se defendeu com um irônico:
“Vocês eram a favor disso… agora são contra?”
É uma situação de absurdo e de
hipocrisia política que chama atenção para a fragilidade das instituições
brasileiras. A possibilidade do fim das delações premiadas é um retrocesso para
o combate à corrupção e um ataque à transparência e ao acesso à informação.
A sociedade brasileira precisa ficar atenta e pressionar seus representantes para que a busca pela justiça e pelo combate à corrupção não seja sacrificada em nome de interesses partidários. O Brasil merece uma política honesta e transparente, e não um jogo sujo de quem quer esconder a verdade.
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